Como conquistar crédito quando você não tem cartão? A experiência que funcionou comigo
Por que eu precisava de crédito?
Crédito não é uma coisa que eu passei a procurar porque queria sair comprando coisas. Na verdade, aconteceu justamente o contrário.
Eu percebi que existem momentos na vida em que a gente simplesmente precisa ter uma alternativa.
Já aconteceu comigo de ficar com o motor do carro fundido na beira da estrada. Numa situação dessas aparecem guincho, manutenção e uma série de despesas que não estavam planejadas.
E aí vem a pergunta:
Se eu não tenho dinheiro disponível naquele momento, faço o quê?
Foi aí que eu comecei a entender a importância de ter algum crédito disponível.
Não estou dizendo que cartão de crédito deve ser usado para gastar além daquilo que você pode pagar. É justamente o contrário. Para mim, crédito precisa andar junto com organização financeira.
E foi tentando resolver essa questão na minha própria vida que comecei a procurar uma maneira de construir um histórico.
Eu comecei com um cartão gratuito
A ideia veio do meu irmão, que também trabalha como motorista de aplicativo.
Ele me sugeriu algo muito simples: começar com um cartão de crédito gratuito, sem pagar anuidade, e concentrar nele algumas despesas que eu já teria de qualquer maneira.
Foi exatamente o que eu fiz.
Como eu trabalho com carro de aplicativo, combustível é uma despesa que faz parte do meu trabalho. Então comecei a colocar os abastecimentos no cartão.
A lógica para mim era simples.
Eu não estava criando uma despesa nova.
Eu estava colocando no cartão uma despesa que já existia.
E isso fez toda a diferença.
O combustível virou uma forma de enxergar meu dinheiro
Existe uma coisa curiosa quando a gente trabalha com dinheiro entrando todos os dias.
Você trabalha, recebe, paga alguma coisa e continua trabalhando.
O dinheiro vai passando pela mão e muitas vezes você não percebe o tamanho das despesas.
No meu caso, colocar o combustível no cartão e separar o dinheiro correspondente numa caixinha começou a mudar essa percepção.
Eu passei a enxergar quanto realmente gastava durante o mês.
Uma coisa é abastecer o carro a cada dois dias.
Outra coisa completamente diferente é olhar para o total gasto em combustível durante um mês inteiro.
Quando você enxerga aquele valor acumulado, começa a pensar:
“Esse dinheiro não é meu. Esse dinheiro foi gasto para eu conseguir trabalhar.”
Para mim, essa foi uma verdadeira virada de chave.
Comecei a olhar de outra maneira para os custos do carro, para os meus ganhos e para aquilo que realmente sobrava.
O cartão passou a fazer parte da minha organização
Depois disso, comecei também a concentrar outras despesas no cartão.
Algumas contas que eu já precisava pagar passaram a ser pagas utilizando o cartão, sempre dentro daquilo que eu conseguia controlar.
O principal, para mim, era uma coisa:
pagar a fatura rigorosamente em dia.
Não adianta conseguir um cartão e começar a gastar sem controle.
O cartão precisa ser uma ferramenta dentro da organização financeira, e não uma extensão da renda.
Foi assim que comecei a construir um histórico de utilização e de pagamentos.
E o score de crédito?
Quando a gente fala em conseguir crédito, inevitavelmente aparece o famoso score.
Hoje, as instituições financeiras utilizam diferentes informações e critérios para avaliar o perfil de cada cliente. O score é uma das informações que pode fazer parte dessa análise.
Na minha experiência, uma das coisas mais importantes foi simplesmente manter meus compromissos em dia.
Cartão, financiamento, contas e outras obrigações financeiras precisam ser tratados com responsabilidade.
Eu passei a enxergar o pagamento em dia não apenas como uma obrigação, mas como parte da construção da minha vida financeira.
Histórico se constrói com comportamento.
E isso não acontece de um dia para o outro.
O limite começou pequeno
Outra coisa que aconteceu comigo foi que o limite inicial do cartão era pequeno.
E isso, olhando hoje, fez sentido.
Eu não tinha histórico suficiente para simplesmente receber um limite enorme.
Então comecei com aquilo que tinha.
Usava o cartão dentro da minha realidade, pagava corretamente e continuava construindo meu histórico.
Com o tempo, o limite começou a aumentar.
Para mim, isso mostrou uma coisa importante:
não é necessariamente começar grande. É começar dentro daquilo que você consegue controlar.
Se eu tivesse recebido um limite enorme logo no início, talvez o problema pudesse ter sido justamente o contrário: gastar mais do que deveria.
Crédito não significa dinheiro sobrando
Essa talvez seja uma das partes mais importantes dessa história.
Ter crédito não significa ter dinheiro.
Um limite de cartão de R$ 5 mil, por exemplo, não significa que você ganhou R$ 5 mil.
Você apenas tem uma possibilidade de utilizar aquele valor e depois precisa pagar.
Por isso, na minha vida, comecei a enxergar crédito como uma ferramenta para situações em que eu realmente possa precisar, e não como aumento de renda.
Isso muda completamente a maneira de olhar para o cartão.
O crédito abriu uma possibilidade maior
Depois de construir um histórico melhor e conseguir um limite maior, comecei a enxergar outras possibilidades.
Uma delas era o financiamento de um carro.
Para quem trabalha com aplicativo, o carro não é apenas um bem de consumo. Ele também pode ser uma ferramenta de trabalho.
Foi por isso que construir crédito passou a ter importância para mim.
Mas existe uma diferença enorme entre ter acesso ao crédito e ter condições financeiras para assumir uma dívida.
Conseguir financiamento não significa que você deve financiar.
Antes de assumir qualquer compromisso, é preciso saber se aquela parcela realmente cabe na sua vida.
O que eu aprendi com tudo isso
Eu não estou aqui dizendo que encontrei uma fórmula universal para conquistar crédito.
Estou contando o que aconteceu comigo.
Comecei sem cartão, encontrei uma alternativa gratuita, concentrei despesas que já faziam parte da minha rotina, passei a controlar melhor esses gastos e mantive os pagamentos em dia.
Aos poucos, fui construindo um histórico.
E mais importante do que o próprio cartão foi o que aconteceu com a minha cabeça.
Eu comecei a enxergar melhor quanto entrava, quanto saía e quanto daquela movimentação realmente fazia parte da minha vida financeira.
Hoje, quando penso em crédito, não penso simplesmente em “quanto o banco pode me emprestar”.
Penso primeiro:
“Eu consigo pagar?”
Essa pergunta, para mim, vale muito mais do que o limite que aparece na tela.
Uma experiência da minha vida real
Tenho 56 anos e não estou aqui como guru financeiro.
Este projeto é justamente o contrário.
Estou dividindo uma jornada que ainda está acontecendo.
Em alguns momentos eu acerto. Em outros, erro. E algumas coisas que eu aprendo na prática acabam mudando completamente a maneira como eu enxergo meu dinheiro.
Foi assim com o crédito.
O que começou como uma necessidade — ter um cartão para situações inesperadas — acabou me fazendo prestar mais atenção nas minhas despesas, no combustível, nos pagamentos e na organização da minha vida financeira.
Talvez a minha experiência não seja exatamente igual à sua.
Mas talvez ela faça você parar e pensar na sua própria situação.
E, para mim, se isso acontecer, o vídeo já cumpriu seu papel.
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Este artigo é baseado no vídeo “Como conquistar crédito?”, onde conto toda essa experiência diretamente, com os detalhes e a forma como aconteceu na minha vida.
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